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Práticas para a Gestão da cooperação

A cooperação torna possível agregar valor a produtos e serviços, como no caso da ProGoethe. Essa rede de produtores de vinhos em Santa Catarina articulou estratégias coletivas para melhorar produtos e contribuir com a performance dos participantes.


Confira o caso da rede!

Como agregar valor aos produtos dos associados da rede para gerar diferenciação e melhorar os resultados econômicos? Quem fez? A associação do Produtores da Uva e do Vinho Goethe (Pro Goethe), com sede no município de Urussanga, localizado no sul do estado de Santa Catarina, foi fundada em 2005 com o objetivo principal de promover a união entre os produtores de uva e vinho Goethe a fim de criar a imagem de um produto nobre e único, reconhecido tanto nacional quanta internacionalmente. Sete vinícolas fazem parte da associação (em 2019), além de membros dos setores hoteleiro, gastronômico, produtores de uva e de vinhos artesanais (ainda não reconhecidos pelo MAPA e que por isso não se enquadram na categoria de vinícolas), totalizando vinte associados. Qual era o desafio? A uva Goethe é do tipo americana e foi introduzida no Brasil durante a colonização italiana no século XIX. Seu cultivo se estabeleceu na região de Urussanga devido à ótima adequação ao solo e condições climáticas. No entanto, por ser uma uva do tipo americana, o vinho produzido a partir dela não é considerado um vinho fino, mas sim de mesa. Este é um vinho de menor valor agregado e menor reconhecimento no mercado, mesmo que seja produzido com uma alta qualidade típica dos vinhos finos. O grande desafio da rede era buscar a valorização ao de um vinho de alta qualidade produzido com as uvas Goethe e conseguir aumentar o valor agregado dos produtos dos associados. Como a rede fez? Ainda nos primeiros anos da criação da rede, os associados iniciaram o processo de reconhecimento da qualidade, tipicidade, tradicionalidade e exclusividade dos vinhos de uva Goethe com a solicitação de uma Indicação Geográfica ao INPI, concedida em 2021, com o apoio do SEBRA, UFSC e EPAGRI. Esse movimento faz parte do quarto ciclo evolutivo da vitivinicultura brasileira, marcado pela busca de identidade dos vinhos locais. As indicações Geográficas (IG), a exemplo dos selos de Determinação de Origem Controlada (DOC) dos países europeus, são, do ponto de vista econômico, um recurso para agregar valor a um produto ou serviço por meio do reconhecimento do seu local de origem e da padronização e controle do nível de qualidade. Qual foi o resultado? As vinícolas perceberam um significativo aumento de 30% nas vendas após dois anos de concessão do registro, número que exemplifica os benefícios comerciais e de desenvolvimento local obtido com a estratégia da Indicação Geográfica. Outro ponto importante destacado pelos associados é que, após a concessão da Indicação Geográfica, houve uma grande abertura de mercado devido à maior visibilidade do grupo, o que viabilizou a comercialização dos produtos em redes de supermercados do estado e a participação em importantes eventos do setor vitivinícola, nacionais e internacionais.


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