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Alianças estratégicas e redes multiparceiros

A cada semana novas notícias sobre acordos de cooperação, alianças e parcerias entre organizações mostram que estratégias cooperativas são usadas para diversas finalidades. O melhor modelo de cooperação em um determinado cenário pode não ser o mais adequada em outro, quando outras condições estão presentes. Na prática, há inúmeras possibilidades de categorizar diferentes tipos de redes. Nos próximos posts, apresentaremos quatro categorias amplas que ajudam a organizar as informações sobre redes de empresas e acordos de cooperação. Conhecer esses modelos facilita a decisão dos gestores sobre a forma de cooperação mais adequadas para distintas situações. Abaixo, conheça entenda os modelos de alianças estratégicas e redes multiparceiros.

Há diferentes conceitos de alianças estratégicas, mas a maioria dos autores concorda que se trata de uma relação em que duas organizações colaboram temporariamente ou por um período de tempo indefinido para alcançar objetivos comuns (Sydow et al., 2015). Para que uma aliança seja considerada estratégica, ela deve ter sido formada com o objetivo de gerar vantagens estratégicas a pelo menos um dos parceiros. Embora isso possa parecer óbvio, esta é uma característica que a distingue de uma aliança com objetivos exclusivamente operacionais, em que os parceiros colaboram apenas para executar parte da operação em conjunto. Na prática, há uma linha muito tênue entre esses dois tipos de alianças, já que atividades operacionais também são necessárias para colocar em funcionamento alianças estratégicas e fazê-las funcionar (Sydow et al., 2015).

O tipo de relacionamento que as organizações estabelecem em uma aliança pode ser utilizado como critério de distinção entre diferentes modelos. Alianças informais consistem em acordos sem a formalização de um contrato, geralmente originados de relações interpessoais. Muitas alianças podem começar em uma base informal e, mais tarde, transformar-se em alianças contratuais. É possível que a maioria das parcerias e alianças formadas por pequenas empresas ocorra, de fato, sem a formalização de contratos ou acordos. Por outro lado, alianças contratuais são caracterizadas pela existência de um contrato formal que regula as ações dos parceiros, estabelece formas pelas quais essa aliança será gerida e, inclusive, como poderá ser finalizada. Um terceiro tipo de aliança é denominado de aliança com investimento (do inglês equity based alliance), no qual os parceiros investem recursos financeiros e se tornam acionistas minoritários uns dos outros. Essa forma de aliança representa um nível maior de comprometimento mútuo, uma vez que vai além de um contrato entre as partes. Por fim, quando os parceiros decidem criar uma nova organização que funciona como uma entidade legal separada, forma-se uma joint-venture.

Quando uma parceria é estabelecida entre mais de duas organizações, utiliza-se o conceito de redes ou alianças multiparceiros (do inglês business network e multipartner alliance). Portanto, uma rede é um acordo de colaboração entre empresas independentes que concordam em realizar colaborativamente um conjunto de atividades para alcançar um objetivo comum. O conceito de rede também pode ser desdobrado em diversas categorias, de acordo com o perfil das organizações envolvidas. Uma categorização bastante comum consiste em distinguir redes horizontais de redes verticais. O primeiro tipo refere-se a redes formadas por organizações que atuam no mesmo elo da cadeia produtiva, isto é, realizam o mesmo tipo de atividade, como, por exemplo, redes formadas por fábricas de móveis com o objetivo de adquirir insumos a melhores preços, ou então redes de produtores de vinho que atuam em conjunto para promover a internacionalização das empresas. Muitas redes horizontais são formadas por pequenas empresas e recebem denominações como redes associativas (Balestrin e Verschoore, 2016) ou centrais de negócios (Wegner e Zonatto, 2014). Por sua vez, redes verticais, também denominadas de redes top-down (Casarotto e Pires, 2001), são formadas por organizações que atuam em elos diferentes da cadeia produtiva.


Fonte: "Redes, Alianças e Parcerias: ferramentas e práticas para a gestão da cooperação empresarial”(2019), Douglas Wegner.

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